Trabalho aceito para apresentação de pôster no IX Congresso da Sociedade Brasileira de Coluna. Junho de 2003.

Transplante autológo de condrócitos para disco intervertebral: estudo preliminar.


Pimenta LH1, Silva M1, Figueredo F1, Reis GM2, Lombello CB2
1 Clínica Mattos Pimenta de Neurologia e Neurocirurgia, São Paulo / SP
2 GMReis Biológica, Campinas / SP

Introdução
A dificuldade de regeneração do tecido cartilaginoso limita as opções de tratamento para este tecido. As técnicas convencionais para o tratamento de discopatias lombares normalmente resultam apenas em alívio dos sintomas do paciente. A aplicação de biotecnologia para o tratamento de discopatia degenerativa lombar, por meio de Transplante Autólogo de Condrócitos, tem se mostrado bastante promissora. Esta técnica tem a finalidade de utilizar condrócitos do próprio paciente, autólogos, para o tratamento da discopatia. Os condrócitos obtidos de uma biópsia do disco intervertebral são cultivados em laboratório durante três a quatro semanas para a obtenção de um grande número celular. Estas células são então transplantadas para o paciente, com o objetivo de regenerar o tecido condral, restabelecendo suas propriedades biomecânicas.

Objetivo
Utilizar a técnica de transplante autólogo de condrócitos para o tratamento de discopatia degenerativa lombar, resultando na regeneração tecidual.

Material e Métodos
Foi realizado um estudo preliminar em cinco pacientes apresentando hérnia discal lombar (L5-S1) com comprometimento dos níveis L4-L5. Os cinco pacientes (quatro mulheres e um homem) apresentavam idades entre 31 e 42 anos. Foi realizado sequestrectomia do nível da hérnia discal. O fragmento discal herniado (correspondente ao núcleo pulposo) foi coletado. A biópsia de núcleo pulposo foi submetida à digestão enzimática para o isolamento dos condrócitos. Os condrócitos foram mantidos em cultura durante aproximadamente quatro semanas para a proliferação celular. Na segunda intervenção cirúrgica foi injetado 1ml da suspensão celular no nível L4-L5, mediante punção percutânea posterolateral.

Resultados
No pós-operatório imediato dos pacientes não foi constatada reação imaginológica adversa, nem sintomas de discopatia aguda no nível transplantado. O acompanhamento destes casos será realizado por um período de até 12 meses, incluindo análises radiográficas, ressonância e clínica.

Conclusões
Os resultados obtidos são coerentes com resultados obtidos anteriormente. Outros grupos observaram bons resultados no tratamento de discopatias lombares pelo transplante autólogo de condrócitos, tendo os pacientes sido acompanhados por um período de até seis anos.
O presente estudo permitiu concluir, em caráter preliminar, que o Transplante Autólogo de Condrócitos é uma técnica de execução viável e bastante promissora para o tratamento de discopatias degenerativas lombares.